quarta-feira, 1 de julho de 2009

O Rio do P.R.

Chegamos, recebidos por uma saraivadas de balas de canhão.
Isso lá é maneira de se receber uma princesa como eu?
De onde esses selvagens tiraram essa idéia estapafúrdia?

Joãzinho, num ato de esperteza que eu jamais lhe creditaria (com certeza idéia de algum dos seus lacaios que lhe lambem as botas), requisitou casas para habitarmos. Nada que se compare ao luxo e glória à altura de uma princesa como euzinha, mas dá para viver sem reclamar (muito). Marcou-as todas com o símbolo P.R. - requisitadas pelo Príncipe Regente. E claro, os selvagens, blagueiros que são, apelidaram de "Ponha-se na Rua!". Eis que começo a gostar do povo de acá.

E claro, a riqueza que trouxemos não durou nada! Terrivelmente insuficiente para nos manter como merecemos. Então Joãozinho - o Frouxo, aumentou-lhes a carga de tributos. Até que não é tão burro, o pobre... agora teremos algo para viver neste Inferno, nesta Comédia de Dante.

Nada mais natural, não é mesmo? Agora que o Governo Português é aqui, muito justo que vivamos bem. Com Luxo. Com Poder. Com Glória.

Mas nem tudo é tão ruim. Com a criação do Teatro Real do Rio de Janeiro, finalmente pudemos receber o glamour de orquestras européias. AH!, a Europa! Que saudades que tenho de ti, minha terra! Pelo menos algo que preste neste raio de colônia.

Aliás, devo confessar que para me divertir, inventei um novo passatempo maldoso: atiro bostas pela janela nos selvagens que passam, já que não tenho onde jogá-las, jogo neste povo que veio dela. Diversão de primeira!

Cada vez me canso mais desta Terra dos Infernos Dantescos.

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