É chegada a hora. Finalmente, meu martírio se encerra!
Mas antes, lhes conto umas últimas notícias da Coloniazinha de Merda.
É claro que nossa vinda trouxe a esta terra selvagem tudo que agora eles têm, e que lhes deixamos. Creio que não tardarão muito a pensar que já podem ser livres (e não é assim que acontecem quando se dá luxo aos selvagens, já querem ser independentes?). Mas deixemos a cargo de Pedrinho - meu queridíssimo filho! - os futuros revoltosos.
Então, Napoleão caiu. Como se precisasse muito, com a pouca altura que aquele baixinho metido tinha. E a Querida Portugal, livre dos invasores, clama pela nossa volta! Amém! Os Céus oviram minhas preces, e resolveram me tirar da companhia de Dante nesta terra de Comédia Infernal!
Joãozinho, o antes Príncipe Regente, Inútil, agora é Inútil Rei. Morreu-se a Louca Maria, e tarde já vai, visto que só nos atormentava. Coitada da pobre. Que seus ossos virem farinha para os micróbios desta terra maldilta, velha louca!
Deixamos esta maldita terra a cargo de Pedrinho e nos vamos, de volta, de onde nunca deveríamos ter saído na fuga norturna louca (e sem glamour). Foi como foi. E lhes prometo que me esquecerei assim que o navio zarpar. E foi para garantir o esquecimento imediato que, ao entrar no navio, tirei meus pobres sapatos - tão finos! - e atirei-os de volta ao odiado Brasil.
Porque, desta terra, não quero nem o pó.
Ass: Carlota Joaquina, a Princesa (luxuosa! glamourosa! fina!)
quarta-feira, 1 de julho de 2009
Oh abram alas... os ingleses querem passar.
Abram as passagens, ó gentalha imunda! Eis que lhes chega o progresso!
Sim, Joãozinho - O Fracote resolveu abrir os portos da colônia. E que venham as melhorias que estamos esperando!
Na verdade verdadeira, isto é a parte de Joãozinho no joguinho de toma-lá-dá-cá com a Inglaterra. Abrir os portos para as "Nações Amigas", ora pois pois! Quais? Desde quando esta pocilga tem amigos, fora nossa amada Portugal e os Ingleses-"Amigos amigos, negócios adentro"? Abrir as pernas aos ingleses seria mais apropriado, oras bolas. O que os ingleses querem é despejar aqui o excesso de sua produção, como se não soubéssemos disso. E ainda receberam benefícios alfandegários maiores do que os da Amada Portugal! Como pode um absurdo tamanho? Só poderia ser Joãozinho.
E eis que agora temos patins de gelo e aquecedores de colchões! Aquecer O QUÊ neste verão eterno, oh Céus! Quantas inutilidades nesta colônia já tão inútil! Inutilidades inúteis na Colônia Inútil do Regente Inútil. Faz sentido, não, quando analisado dessa forma...
E eis que a Turma de Joãozinho - posto que, por óbvio, não foi o próprio Lerdinho que teve mirabolante idéia - criou o Banco do Brasil. Claro, de que adianta ser rico e não ter dinheiro? Façamos dinheiro então para a colônia ver como somos ricos! E poderosos! E luxuosos! E glamourosos!
Acho que já basta. Cansei desta terra. Farei de tudo ao meu alcance para levar meus belos e finos sapatos de volta à Querida Portugal.
Sim, Joãozinho - O Fracote resolveu abrir os portos da colônia. E que venham as melhorias que estamos esperando!
Na verdade verdadeira, isto é a parte de Joãozinho no joguinho de toma-lá-dá-cá com a Inglaterra. Abrir os portos para as "Nações Amigas", ora pois pois! Quais? Desde quando esta pocilga tem amigos, fora nossa amada Portugal e os Ingleses-"Amigos amigos, negócios adentro"? Abrir as pernas aos ingleses seria mais apropriado, oras bolas. O que os ingleses querem é despejar aqui o excesso de sua produção, como se não soubéssemos disso. E ainda receberam benefícios alfandegários maiores do que os da Amada Portugal! Como pode um absurdo tamanho? Só poderia ser Joãozinho.
E eis que agora temos patins de gelo e aquecedores de colchões! Aquecer O QUÊ neste verão eterno, oh Céus! Quantas inutilidades nesta colônia já tão inútil! Inutilidades inúteis na Colônia Inútil do Regente Inútil. Faz sentido, não, quando analisado dessa forma...
E eis que a Turma de Joãozinho - posto que, por óbvio, não foi o próprio Lerdinho que teve mirabolante idéia - criou o Banco do Brasil. Claro, de que adianta ser rico e não ter dinheiro? Façamos dinheiro então para a colônia ver como somos ricos! E poderosos! E luxuosos! E glamourosos!
Acho que já basta. Cansei desta terra. Farei de tudo ao meu alcance para levar meus belos e finos sapatos de volta à Querida Portugal.
O Rio do P.R.
Chegamos, recebidos por uma saraivadas de balas de canhão.
Isso lá é maneira de se receber uma princesa como eu?
De onde esses selvagens tiraram essa idéia estapafúrdia?
Joãzinho, num ato de esperteza que eu jamais lhe creditaria (com certeza idéia de algum dos seus lacaios que lhe lambem as botas), requisitou casas para habitarmos. Nada que se compare ao luxo e glória à altura de uma princesa como euzinha, mas dá para viver sem reclamar (muito). Marcou-as todas com o símbolo P.R. - requisitadas pelo Príncipe Regente. E claro, os selvagens, blagueiros que são, apelidaram de "Ponha-se na Rua!". Eis que começo a gostar do povo de acá.
E claro, a riqueza que trouxemos não durou nada! Terrivelmente insuficiente para nos manter como merecemos. Então Joãozinho - o Frouxo, aumentou-lhes a carga de tributos. Até que não é tão burro, o pobre... agora teremos algo para viver neste Inferno, nesta Comédia de Dante.
Nada mais natural, não é mesmo? Agora que o Governo Português é aqui, muito justo que vivamos bem. Com Luxo. Com Poder. Com Glória.
Mas nem tudo é tão ruim. Com a criação do Teatro Real do Rio de Janeiro, finalmente pudemos receber o glamour de orquestras européias. AH!, a Europa! Que saudades que tenho de ti, minha terra! Pelo menos algo que preste neste raio de colônia.
Aliás, devo confessar que para me divertir, inventei um novo passatempo maldoso: atiro bostas pela janela nos selvagens que passam, já que não tenho onde jogá-las, jogo neste povo que veio dela. Diversão de primeira!
Cada vez me canso mais desta Terra dos Infernos Dantescos.
Isso lá é maneira de se receber uma princesa como eu?
De onde esses selvagens tiraram essa idéia estapafúrdia?
Joãzinho, num ato de esperteza que eu jamais lhe creditaria (com certeza idéia de algum dos seus lacaios que lhe lambem as botas), requisitou casas para habitarmos. Nada que se compare ao luxo e glória à altura de uma princesa como euzinha, mas dá para viver sem reclamar (muito). Marcou-as todas com o símbolo P.R. - requisitadas pelo Príncipe Regente. E claro, os selvagens, blagueiros que são, apelidaram de "Ponha-se na Rua!". Eis que começo a gostar do povo de acá.
E claro, a riqueza que trouxemos não durou nada! Terrivelmente insuficiente para nos manter como merecemos. Então Joãozinho - o Frouxo, aumentou-lhes a carga de tributos. Até que não é tão burro, o pobre... agora teremos algo para viver neste Inferno, nesta Comédia de Dante.
Nada mais natural, não é mesmo? Agora que o Governo Português é aqui, muito justo que vivamos bem. Com Luxo. Com Poder. Com Glória.
Mas nem tudo é tão ruim. Com a criação do Teatro Real do Rio de Janeiro, finalmente pudemos receber o glamour de orquestras européias. AH!, a Europa! Que saudades que tenho de ti, minha terra! Pelo menos algo que preste neste raio de colônia.
Aliás, devo confessar que para me divertir, inventei um novo passatempo maldoso: atiro bostas pela janela nos selvagens que passam, já que não tenho onde jogá-las, jogo neste povo que veio dela. Diversão de primeira!
Cada vez me canso mais desta Terra dos Infernos Dantescos.
Sorria, vc está na... como chama mesmo esta pocilga?

E, quem diria, caríssimos gajos, chegamos ao Brasil.
Frouxo. Indeciso. Medroso. Fraco. Este é Joãozinho - o Inútil que enganou Napoleão.
Quem diria, oh Deus, quem diria...
Paramos na Bahia. E todas agora imitam meus turbantes. Bando de pobretões sem luxo algum!
E Joãozinho fez todos lhe beijarem as mãos. Antes eles do que eu. Nojinho.
Em breve chegaremos ao Rio de Janeiro. Isso se não morrermos de doenças destes selvagens que acá vivem.
Companheiros de Viagem de Dante
Sim, caríssimos. De Dante. Porque só Dante sabe o inferno em que me encontro.
Um calor infernal, verdadeiros banhos turcos são esses navios! Infernos de Dante são esses Trópicos, quanto calor, Meu Deus, QUANTO CALOR! Estou a morrer nessa viagem, no meio dessa gentalha! De onde o pobre Dante tirou que isso seria uma comédia?
Doenças, pestes, prestilências, nojeiras por todo lado! OH, MEUS CABELOS! Meus pobres cabelos, tão lindos, tão fidalgos... reduzidos à calva por uma infestação de piolhos! Felizmente trouxe comigo tecidos, muitos tecidos... farei turbantes.
Sim, calva, mas jamais sem luxo!
Um calor infernal, verdadeiros banhos turcos são esses navios! Infernos de Dante são esses Trópicos, quanto calor, Meu Deus, QUANTO CALOR! Estou a morrer nessa viagem, no meio dessa gentalha! De onde o pobre Dante tirou que isso seria uma comédia?
Doenças, pestes, prestilências, nojeiras por todo lado! OH, MEUS CABELOS! Meus pobres cabelos, tão lindos, tão fidalgos... reduzidos à calva por uma infestação de piolhos! Felizmente trouxe comigo tecidos, muitos tecidos... farei turbantes.
Sim, calva, mas jamais sem luxo!
E eis que Joãozinho decide fugir...

De que forma uma viagem às pressas sairia da forma esperada? Eu, Carlota Joaquina, vulgo Carlotinha, fico sabendo de Joãozinho - o Medroso que vamos fugir para o Brasil. "Fugir? Para onde? Como assim, Inútil?". E eis que o Príncipe de Nada me explica que Napoleão planeja nos atacar. Oras bolas, todo mundo já estava ciente que a qualquer momento o metido a besta do Napoleão nos atacaria, aquele baixinho que se acha lá grandes coisas.
Dona Mariazinha, a Rainha Louca (de Pedra), não parava de gritar aos berros a visão que tinha do Fantasma Vingador clamando por sangue, SANGUE! E eis que internaram a velha demente, e declararam meu digníssimo marido - vejam só que ironia do destino - Príncipe Regente. E o que Joãzinho - o Inútil (agora o Regente Inútil) resolve fazer? Fugir para o Brasil.
Sim, Fugir. Assim, do nada. Sem aviso. Sem tempo para que eu arrumasse meus sapatos tão finos. Sem tempo para nada. Como ratos, no meio da noite, fugindo das ameaças do baixinho metido chamado Napoleão.
E foi asim que, sem grandes arrumações, com muita bagunça e algazarra, quase sem suprimentos e fadados a morrer de fome no meio do mar nesta viagem longuíssima (o que mais esperar de decisões de Joãzinho Medrosinho?), fugimos para o Brasil.
Acá estou
Olá gentalha.
Resolvi criar um blog.
Já que meu inútil marido Joãzinho (pq de grande ele não tem absolutamente NADA) não presta para (note, também) NADA, vou brincar de diário virtual.
Já que tudo na Europa está uma merrrda, indo para as cucuiass, pelo menos narrarei a vcs em grande estilo o que se passa acá nestas terras desoladas de Portugal.
Aguardem.
Ass: Carlotta Joaquina, a Carlotinha (e Seus Sapatos)
Resolvi criar um blog.
Já que meu inútil marido Joãzinho (pq de grande ele não tem absolutamente NADA) não presta para (note, também) NADA, vou brincar de diário virtual.
Já que tudo na Europa está uma merrrda, indo para as cucuiass, pelo menos narrarei a vcs em grande estilo o que se passa acá nestas terras desoladas de Portugal.
Aguardem.
Ass: Carlotta Joaquina, a Carlotinha (e Seus Sapatos)
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